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O mar dos meus olhos – Sophia de Mello Breyner Andresen

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O mar dos meus olhos - Sophia de Mello Breyner AndresenO mar dos meus olhos – Sophia de Mello Breyner Andresen
O mar dos meus olhos

“Há mulheres que trazem o mar nos olhos
Não pela cor
Mas pela vastidão da alma

E trazem a poesia nos dedos e nos sorrisos
Ficam para além do tempo
Como se a maré nunca as levasse
Da praia onde foram felizes
Há mulheres que trazem o mar nos olhos
pela grandeza da imensidão da alma
pelo infinito modo como abarcam as coisas e os homens…
Há mulheres que são maré em noites de tardes…
e calma”

Sophia de Mello Breyner Andresen
(encontrado aqui)

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Porque – Sophia Mello Breyner

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Porque - Sophia Mello Breyner

Porque

Porque

Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão
Porque os outros têm medo mas tu não

Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.

Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.

Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não.

Sophia de Mello Breyner Andresen


“O Amor ” – Fernando Pessoa

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"O Amor " - Fernando Pessoa

“O Amor ” – Fernando Pessoa

O AMOR, quando se revela,
Não se sabe revelar.
Sabe bem olhar para ela,
Mas não lhe sabe falar.

Quem quer dizer o que sente
Não sabe o que há de dizer.
Fala: parece que mente…
Cala: parece esquecer…

Ah, mas se ela adivinhasse,
Se pudesse ouvir o olhar,
E se um olhar lhe bastasse
Para saber que a estão a amar!

Mas quem sente muito, cala;
Quem quer dizer quanto sente
Fica sem alma nem fala,
Fica só, inteiramente!

Mas se isto puder contar-lhe
O que não lhe ouso contar,
Já não terei que falar-lhe
Porque lhe estou a falar..


A Marioneta – Johnny Welch

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A Marioneta - Johnny WelchA Marioneta – Johnny Welch

Se por um instante Deus se esquecesse de que sou uma marioneta de trapos e me
presenteasse com mais um pedaço de vida, eu aproveitaria esse tempo o mais que
pudesse…
Possivelmente não diria tudo o que penso, mas definitivamente pensaria tudo o
que digo.
Daria valor às coisas, não por aquilo que valem,mas pelo que significam.
Dormiria pouco, sonharia mais, porque entendo que por cada minuto que fechamos
os olhos, perdemos sessenta segundos de luz.
Andaria quando os demais se detivessem,acordaria quando os demais dormissem.
Se Deus me presenteasse com um pedaço de vida, deitava-me ao sol,
deixando a descoberto, não somente o meu corpo, como também a minha alma.
Aos homens, eu provaria quão equivocados estão ao pensar que deixam de se
enamorar quando envelhecem, sem saberem que envelhecem quando deixam
de se enamorar…
A um menino eu daria-lhe asas, apenas lhe pediria que aprendesse a voar.
Aos velhos ensinaria que a morte não chega com o fim da vida, mas sim com
o esquecimento.
Tantas coisas aprendi com Vós homens…. Aprendi que todo o mundo quer viver no
cimo da montanha, sem saber que a verdadeira felicidade está na forma de subir
a escarpa.
Aprendi que quando um recém nascido aperta com a sua pequena mão,
pela primeira vez, o dedo do seu pai, agarrou-o para sempre.
Aprendi que um homem só tem direito a olhar o outro de cima para baixo,
quando está a ajudá-lo a levantar-se.
São tantas as coisas que pude aprender com Vocês, mas agora, realmente
de pouco me irão servir, porque quando me guardarem dentro dessa caixa,
infelizmente estarei morrendo.
Sempre diz o que sentes e faz o que pensas.
Supondo que hoje seria a última vez que te vou ver dormir, te abraçaria
fortemente e rezaria ao Senhor para poder ser o guardião da tua alma.
Supondo que estes são os últimos minutos que te vejo, diria-te “Amo-te”
e não assumiria, loucamente, que já o sabes.
Sempre existe um amanhã em que a vida nos dá outra oportunidade para fazermos
as coisas bem, mas pensando que hoje é tudo o que nos resta, gostaria de dizer-te o quanto te quero,
que nunca te esquecerei.
O amanhã não está assegurado a ninguém, jovens ou velhos.
Hoje pode ser a última vez que vejas aqueles que amas. Por isso, não esperes mais,
fá-lo hoje, porque o amanhã pode nunca chegar. Senão, lamentarás o dia em que
não tiveste tempo para um sorriso, um abraço, um beijo e o teres estado muito
ocupado para atenderes esse último desejo.
Mantém os que amas junto de ti, diz-lhes ao ouvido o muito que precisas deles,
o quanto lhes queres e trata-os bem, aproveita para lhes dizer,
“perdoa-me”, “por favor”, “obrigado” e todas as palavras de amor que conheces.
Não serás recordado pelos teus pensamentos secretos. Pede ao Senhor a força e a
sabedoria para os expressar.
Demonstra aos teus amigos e seres queridos o quanto são importantes para ti.


Primavera – Alberto Caeiro

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Não sei se alguma vez mencionei aqui, em algum dos posts que fiz mas a par da minha paixão por artesanato em geral, fotografia e tudo o que já aqui abordei existe uma outra coisa que adoro mesmo muito fazer que é ler. Da-me imenso prazer o facto de ir a uma biblioteca ou livraria escolher um livro e poder ficar na minha esfera a “devora-lo” quase obsessivamente, como se todo o conhecimento do mundo estivesse ali. Desde pequena mesmo antes de saber ler ou escrever, ficava horas e horas rodeada de livros a ver as imagens/ ilustrações e tinha como companheiro de leitura o meu avô que sempre me incentivou a querer saber mais e a não ser uma criança/adulta conformada e procurar as minhas próprias respostas.
Quando cresci mais um pouco na hora de tomar a decisão de qual seria o agrupamento a entrar no secundário foi muito difícil pois por um lado pendia muito para as artes por outro para a literatura. Acabou por ganhar o ultimo e por isso fiz o 12º ano em Línguas e Literaturas. Não podia ter adorado mais, e agora tantos anos depois vejo esta minha escolha embora despropositada como uma forma de ter homenageado o meu primeiro professor (avô). E como toda a gente que adora ler, tem sempre um escritor preferido para cada género de livro, para mim poesia é sem duvida alguma sinónimo de Fernando Pessoa (embora também adore de coração Nuno Judice e Eugénio de Andrade), então para reforçar o que acabei de dizer aqui fica o vídeo com a declamação do poema Primavera – Alberto Caeiro que na minha opinião é mesmo fantástica , do actor Pedro Lamares!

Muito Bom Domingo!


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