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“O Amor ” – Fernando Pessoa

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"O Amor " - Fernando Pessoa

“O Amor ” – Fernando Pessoa

O AMOR, quando se revela,
Não se sabe revelar.
Sabe bem olhar para ela,
Mas não lhe sabe falar.

Quem quer dizer o que sente
Não sabe o que há de dizer.
Fala: parece que mente…
Cala: parece esquecer…

Ah, mas se ela adivinhasse,
Se pudesse ouvir o olhar,
E se um olhar lhe bastasse
Para saber que a estão a amar!

Mas quem sente muito, cala;
Quem quer dizer quanto sente
Fica sem alma nem fala,
Fica só, inteiramente!

Mas se isto puder contar-lhe
O que não lhe ouso contar,
Já não terei que falar-lhe
Porque lhe estou a falar..


A Marioneta – Johnny Welch

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A Marioneta - Johnny WelchA Marioneta – Johnny Welch

Se por um instante Deus se esquecesse de que sou uma marioneta de trapos e me
presenteasse com mais um pedaço de vida, eu aproveitaria esse tempo o mais que
pudesse…
Possivelmente não diria tudo o que penso, mas definitivamente pensaria tudo o
que digo.
Daria valor às coisas, não por aquilo que valem,mas pelo que significam.
Dormiria pouco, sonharia mais, porque entendo que por cada minuto que fechamos
os olhos, perdemos sessenta segundos de luz.
Andaria quando os demais se detivessem,acordaria quando os demais dormissem.
Se Deus me presenteasse com um pedaço de vida, deitava-me ao sol,
deixando a descoberto, não somente o meu corpo, como também a minha alma.
Aos homens, eu provaria quão equivocados estão ao pensar que deixam de se
enamorar quando envelhecem, sem saberem que envelhecem quando deixam
de se enamorar…
A um menino eu daria-lhe asas, apenas lhe pediria que aprendesse a voar.
Aos velhos ensinaria que a morte não chega com o fim da vida, mas sim com
o esquecimento.
Tantas coisas aprendi com Vós homens…. Aprendi que todo o mundo quer viver no
cimo da montanha, sem saber que a verdadeira felicidade está na forma de subir
a escarpa.
Aprendi que quando um recém nascido aperta com a sua pequena mão,
pela primeira vez, o dedo do seu pai, agarrou-o para sempre.
Aprendi que um homem só tem direito a olhar o outro de cima para baixo,
quando está a ajudá-lo a levantar-se.
São tantas as coisas que pude aprender com Vocês, mas agora, realmente
de pouco me irão servir, porque quando me guardarem dentro dessa caixa,
infelizmente estarei morrendo.
Sempre diz o que sentes e faz o que pensas.
Supondo que hoje seria a última vez que te vou ver dormir, te abraçaria
fortemente e rezaria ao Senhor para poder ser o guardião da tua alma.
Supondo que estes são os últimos minutos que te vejo, diria-te “Amo-te”
e não assumiria, loucamente, que já o sabes.
Sempre existe um amanhã em que a vida nos dá outra oportunidade para fazermos
as coisas bem, mas pensando que hoje é tudo o que nos resta, gostaria de dizer-te o quanto te quero,
que nunca te esquecerei.
O amanhã não está assegurado a ninguém, jovens ou velhos.
Hoje pode ser a última vez que vejas aqueles que amas. Por isso, não esperes mais,
fá-lo hoje, porque o amanhã pode nunca chegar. Senão, lamentarás o dia em que
não tiveste tempo para um sorriso, um abraço, um beijo e o teres estado muito
ocupado para atenderes esse último desejo.
Mantém os que amas junto de ti, diz-lhes ao ouvido o muito que precisas deles,
o quanto lhes queres e trata-os bem, aproveita para lhes dizer,
“perdoa-me”, “por favor”, “obrigado” e todas as palavras de amor que conheces.
Não serás recordado pelos teus pensamentos secretos. Pede ao Senhor a força e a
sabedoria para os expressar.
Demonstra aos teus amigos e seres queridos o quanto são importantes para ti.


Primavera – Alberto Caeiro

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Não sei se alguma vez mencionei aqui, em algum dos posts que fiz mas a par da minha paixão por artesanato em geral, fotografia e tudo o que já aqui abordei existe uma outra coisa que adoro mesmo muito fazer que é ler. Da-me imenso prazer o facto de ir a uma biblioteca ou livraria escolher um livro e poder ficar na minha esfera a “devora-lo” quase obsessivamente, como se todo o conhecimento do mundo estivesse ali. Desde pequena mesmo antes de saber ler ou escrever, ficava horas e horas rodeada de livros a ver as imagens/ ilustrações e tinha como companheiro de leitura o meu avô que sempre me incentivou a querer saber mais e a não ser uma criança/adulta conformada e procurar as minhas próprias respostas.
Quando cresci mais um pouco na hora de tomar a decisão de qual seria o agrupamento a entrar no secundário foi muito difícil pois por um lado pendia muito para as artes por outro para a literatura. Acabou por ganhar o ultimo e por isso fiz o 12º ano em Línguas e Literaturas. Não podia ter adorado mais, e agora tantos anos depois vejo esta minha escolha embora despropositada como uma forma de ter homenageado o meu primeiro professor (avô). E como toda a gente que adora ler, tem sempre um escritor preferido para cada género de livro, para mim poesia é sem duvida alguma sinónimo de Fernando Pessoa (embora também adore de coração Nuno Judice e Eugénio de Andrade), então para reforçar o que acabei de dizer aqui fica o vídeo com a declamação do poema Primavera – Alberto Caeiro que na minha opinião é mesmo fantástica , do actor Pedro Lamares!

Muito Bom Domingo!


REGRESSO!!!!

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Regresso
Regresso ao Lar
Ai, há quantos anos que eu parti chorando
deste meu saudoso, carinhoso lar!…
Foi há vinte?… Há trinta?… Nem eu sei já quando!…
Minha velha ama, que me estás fitando,
canta-me cantigas para me eu lembrar!…

Dei a volta ao mundo, dei a volta à vida…
Só achei enganos, decepções, pesar…
Oh, a ingénua alma tão desiludida!…
Minha velha ama, com a voz dorida.
canta-me cantigas de me adormentar!…

Trago de amargura o coração desfeito…
Vê que fundas mágoas no embaciado olhar!
Nunca eu saíra do meu ninho estreito!…
Minha velha ama, que me deste o peito,
canta-me cantigas para me embalar!…

Pôs-me Deus outrora no frouxel do ninho
pedrarias de astros, gemas de luar…
Tudo me roubaram, vê, pelo caminho!…
Minha velha ama, sou um pobrezinho…
Canta-me cantigas de fazer chorar!…

Como antigamente, no regaço amado
(Venho morto, morto!…), deixa-me deitar!
Ai o teu menino como está mudado!
Minha velha ama, como está mudado!
Canta-lhe cantigas de dormir, sonhar!…

Canta-me cantigas manso, muito manso…
tristes, muito tristes, como à noite o mar…
Canta-me cantigas para ver se alcanço
que a minha alma durma, tenha paz, descanso,
quando a morte, em breve, ma vier buscar!

Guerra Junqueiro


Esfera – Pedro Khima

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Por sinal, essa esfera que me tentava sem me olhar,
Nada mais era do que um som
Que me levava a tentar fugir de ti… sair de ti…

Uma vez mais, sem saber porquê,
Desistira de dizer:
Nao dá mais, quero mais…
Se não for assim,
Esconde esse sorriso que me faz querer matar por mais!
Mais, mais…
Quero mais…
Mais, mais…
Por isso esconde esse sorriso que me faz querer matar por mais…

Só assim dá para mim conseguir que não doa mais,
Que me deixes ir,
Que me libertes de ti,
Que não me faças sentir,
E eu não quero cair, não me posso entregar
Sem que percebas que não podes julgar,
E eu quero tentar, poder acreditar
Que o aperto cá dentro
Um dia vai acabar,
O monstro em mim não irá sucumbir,
Não desfalece por não conseguir
Que olhes para mim, que me faças existir,
Por isso esconde esse sorriso que me faz querer matar por mais
Mais, mais…
Quero mais…
Mais, mais…
Por isso esconde esse sorriso que me faz querer matar por mais
Mais, mais…
Quero mais…
Mais, mais…
Por isso esconde esse sorriso que me faz querer matar por mais