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(coisas que deveria ter dito e não disse) – Pedro Chagas Freitas

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(coisas que deveria ter dito e não disse) - Pedro Chagas Freitas(coisas que deveria ter dito e não disse)

Devia ter dito e não disse. (coisas que deveria ter dito e não disse) – Pedro Chagas Freitas

Ao homem da minha vida que é o homem da minha vida, todos os dias, sem parar, porque quando há algo tão bom como amar alguém para fazer todos os dias não o fazer não é timidez; é estupidez.

À minha mãe que é a velhota mais adorável que o mundo poderia conhecer e que quando me olho para a frente e me vejo como ela acredito que a velhice até pode mesmo ser a coisa mais linda de sempre.

Ao meu pai que pode parecer um durão mas que eu sei e sei que ele sabe que não é durão nenhum , é apenas um lamechas de primeira ordem, que quando se deita sem a mulher que ama chora que nem um bebé, e ainda bem, que uma pessoa que não chora que nem um bebé sempre que não tem o amor ao lado não é pessoa nenhuma.

Aos meus amigos que são apenas dois e que só são apenas dois porque depois de os ter na minha vida tudo o resto sabe a pouco, e que a amizade é uma forma de amor que não existe exclusividade mas quase, e quando se tem dois amigos assim não se precisa de mais amigos nenhuns porque o que tenho para gostar de alguém está gasto e mais do que gasto, e felizmente.

Ao que dói que vai passar, que tem de passar, que só pode passar, pelo simples facto de que tudo passa, até o que é mau, e que muitas vezes o que nos faz parar é o que faz andar, e amar, passe a redundância e a felicidade.

Aos que deixaram de viver que eram importantes, que precisava deles e que dói como se me agarrassem a carne por dentro lembrar-me do que fomos e já não podemos ser, do que poderíamos viver e já não podemos viver, do que deixámos por fazer e que mesmo assim vivemos tudo o que havia para viver.

A ti que ainda vais a tempo de dizer o que eu não disse.

Vai.
Diz.

(coisas que deveria ter dito e não disse) – Pedro Chagas Freitas

Veronika decide morrer – Paulo Coelho

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Veronika decide morrer - Paulo CoelhoVeronika decide morrer – Paulo Coelho
“A loucura é a incapacidade de comunicar suas ideias. Como se você estivesse num país estrangeiro – vendo tudo, entendendo o que se passa a sua volta, mas incapaz de se explicar e de ser ajudada, pois não entendem a língua que falam ali. Todos nós, de um jeito ou de outro, somos loucos.”

“O que faz uma pessoa detestar a si mesma? – Talvez a covardia. Ou o eterno medo de estar errada, de não fazer o que os outros esperam.”

“Se Deus existe, o que eu sinceramente não acredito, entenderá que há um limite para a compreensão humana. Foi Ele quem criou essa confusão, onde há miséria, injustiça, ganância, solidão. Sua intenção deve ter sido ótima, mas os resultados são nulos; se Deus existe, Ele será generoso com as criaturas que desejam ir embora mais cedo desta Terra, e pode até mesmo pedir desculpas por nos ter obrigado a passar por aqui.”

“Acreditava ser uma pessoa absolutamente normal. Sua decisão de morrer devia-se  a duas razões muito simples, e tinha certeza  que, se deixasse um bilhete explicando, muita gente ia concordar com ela. A primeira razão: tudo em sua vida era igual, e – uma vez passada a juventude – a tendência era que tudo passasse a decair, a velhice começasse a deixar marcas irreversíveis, as doenças chegassem, os amigos partissem. Enfim, continuar vivendo não acrescentava nada; ao contrário, as possibilidades de sofrimento aumentavam muito. A segunda razão era bem mais filosófica: Veronika lia jornais, assistia TV, e estava a par do que se passava no mundo. Tudo estava errado, e ela não tinha como consertar aquela situação – o que lhe dava uma sensação de inutilidade total.”

Veronika decide morrer – Paulo Coelho

“Um breve recado para as educadoras de infância”- Alice Vieira

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"Um breve recado para as educadoras de infância"- Alice Vieira“Um breve recado para as educadoras de infância”- Alice Vieira
“Elas chegaram agora junto de ti.
Elas pensavam que o mundo cabia inteiro nas paredes da sua casa, e que quem lá vivia eram os seus únicos habitantes. Terás de mostrar-lhes que não é verdade.
Elas têm poucas palavras para nomear o que as rodeia. Terás de as ajudar a encontrar as que faltam.
Elas vão ver o mundo com as cores que tu puseres em cada som e em cada gesto.
Elas vão olhar para ti, aprender o teu nome, chamar-te por tudo e por nada, geralmente por nada. Que é sempre tudo.
Vais mostrar-lhes como se vive com os outros, como se aceita quem não é igual a nós, tal como se aceita um desenho pintado com todas as cores do arco-íris.
Vais aprender a ter de lhes dizer muitas vezes “ não”, sem te deixares levar pelo seu beicinho irresistível.
Mas vais também dizer-lhes muitas vezes “sim” e sentir que é para ti que elas sorriem e estendem as mãos.
Vais levá-las ao jardim quando há sol, vais empurrar baloiços que chegam ao céu, vais assoar narizes cem vezes ao dia, vais fazê-las aprender a gostar de sopa, vais ler-lhes histórias e ensinar-lhes que todas as meninas têm direito a ser princesas, e todos os meninos têm direito a ser piratas das Caraíbas.
Elas vão ser, naquele pequeno universo diário, os filhos que tens em casa, ou na escola, ou não tens, ou esperas vir a ter mais tarde.
E por vezes podes sentir uns ligeiros remorsos por teres para elas o tempo que não tens para os teus.
Elas levam-te nos olhos quando à tarde as vêm buscar. E esperas que te levem também no coração.
Elas vão acreditar em ti como acreditam nas fadas e no Pai Natal.
Elas vão pôr-te os nervos à flor da pele e fazer-te esquecer, por vezes, o que aprendeste, e perder a paciência que sempre julgaste inesgotável.
Elas vão fazer-te suspirar pela hora do regresso a casa, vão fazer-te levar muitas vezes as mãos à cabeça e proferir intimamente palavras impronunciáveis. Porque elas são crianças. E porque tu és humana.
Resumindo: elas vão-te fazer feliz para o resto da tua vida.”

“Um breve recado para as educadoras de infância”- Alice Vieira

Não sei a mulher que sou – Pedro Chagas Freitas

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Não sei a mulher que sou - Pedro Chagas FreitasNão sei a mulher que sou – Pedro Chagas Freitas
“Não sei a mulher que sou(…)”- Pedro Chagas Freitas

“Não sei a mulher que sou, mas sei a mulher que não sou. Não sou a mulher que se esconde nos tachos, a mulher que se cala nas horas, que se entrega ao embuste da segurança, à fraude suportável de ver passar o tempo. Não. Não sou. Não sou a mulher do fado e das lágrimas, a mulher do enfado e das rotinas, dos sonhos que se arrastam pelas esquinas. Não. Não sou. Não sou mulher de sorrisos quando existe a gargalhada, de aldeias quando existe o mundo. Não sou nem um milímetro menos do que aquilo que posso ser, e se um dia cair, foi porque tentei saltar e não porque preferi aceitar.
Antes um Titanic afundado do que um barco que não vai a nenhum lado.
Não sei o que sou mas sei que sou tua.”

Pedro Chagas Freitas em Prometo Falhar

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“Uma questão de semântica” – Tânia Ganho

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"Uma questão de semântica" - Tânia Ganho

“-Gosto de ti, mas não te amo – concluiu ele. – Mas o amor só atrapalha – acrescentou. Ela foi à casa de banho buscar a escova de dentes e os cremes. Tirou do armário a roupa que tinha levado para casa dele, enfiou tudo na mala que estava há três meses debaixo da cama e, muda, dirigiu-se para a porta. Ele seguiu-a, perplexo. – Amo-te, mas não gosto de ti – respondeu ela, entregando-lhe a chave de casa.

Mulher-Casa, Tânia Ganho


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